Umburanas

23 de fevereiro de 2018

A maioria nem sempre é absoluta; por Gervásio Lima

O autor é jornalista e historiador 

A discussão como forma democrática de socializar as ideias através de uma série de pensamentos reúne geralmente inconcussos e os controversos. Em um debate, inevitavelmente, a gosto ou contra-gosto, o objeto pautado acaba sendo conciliado a partir do pressuposto de que a maioria vence, mesmo quando a vantagem por alguma razão, inclusive espúria, passa a ter o poder da decisão.

Numa eleição, dependendo do número de candidatos e da quantidade de votos divididos entre os mesmos, o vencedor não reflete necessariamente a vontade da maioria; ou seja, é o escolhido por meio de alguma regra procedimental. De uma forma mais clara, em um universo de 100 por cento, quem obteve apenas 35 por cento dos votos válidos não atendeu a vontade dos 65 que optaram por outras alternativas. Remetendo esta lógica para o pleito municipal é correto afirmar que aquele ou aquela que obteve apenas os votos de um terço da população eleitoral governará por conta da vontade da minoria. Quando isso acontece, como dizem os nordestinos, o ‘cabra’ tem que ser muito bom caso queira conquistar a confiança da maioria. Isso não acontecendo, o timoneiro estará fadado ao fracasso eleitoral.

A descentralização do poder, com a participação coletiva, construirá caminhos “andáveis”. Como dia o provérbio popular: "sábios são os que ouvem mais e falam menos". Na administração pública os serviços oferecidos têm como objetivo principal a garantia dos direitos estabelecidos na Constituição Federal. Erram os que confundem suas passagens temporárias em cargos eletivos como se fossem efetivos e os que utilizam de práticas improbas para se locupletar do erário. E para que isto não aconteça, a fiscalização precisa ser uma constante, tanto por parte dos também eleitos vereadores, como, e principalmente, pela população, independente do gestor, no caso dos municípios, ser correligionário ou não.

O cidadão pode denunciar diretamente à Promotoria Pública quando tiver conhecimento sobre um fato em que a sociedade tenha sido prejudicada, ou quando um dos direitos comuns a todos tenha sido desrespeitado, como o direito à vida, à saúde, a educação e outros. A omissão cidadã tem contribuído para o aumento da corrupção e a manutenção de corruptos no poder. Vale lembrar que o egocentrismo é tão prejudicial quanto os desvios e o mau uso das verbas públicas; por tanto é necessário que se observe não apenas o que prejudica a si, como também o que afeta o coletivo. A atenção deve está voltada para a defesa dos interesses da maioria e não para uma minoria que teve a maioria dos votos em uma eleição.

A ausência de ação, a inércia, perante um erro é o acovardamento do cidadão, um mau capaz de provocar prejuízos incalculáveis à uma cidade, um estado e o país.

Felizes serão aqueles que vivem a emoção por valorizar a razão.

Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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