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25 de agosto de 2017

Compromisso nem sempre é comprometimento - Por Gervásio Lima

"O político que se preza tem compromisso com a população."

Vez ou outra se ouve de um político a frase ‘tenho compromisso com ele’, ao se referi a outro da mesma trupe, principalmente quando se trata de apoio eleitoral. Tal citação tem passado despercebida pelos comumentes incautos eleitores; talvez propositadamente por ter acostumado apenas a ouvir o ‘venha a nós, ao nosso reino nada’.

É necessário, por se tratar geralmente de pessoas públicas, que tais ‘compromissos’ sejam explicados. Seria compromisso financeiro? O que inevitavelmente pode caracterizar caixa dois de campanha eleitoral. Trata-se de compromisso moral? Valendo a admiração pelas primícias humanas, ou simplesmente, na essência da palavra, não passa de um acordo (pacto) político antecipado?

Vícios de Linguagem são alterações defeituosas das normas da língua padrão, provocadas por ignorância, descuido ou descaso por parte do falante. Neste caso a palavra ‘compromisso’ não se enquadra por não está gramaticalmente incorreta. Do ponto de vista morfológico é mais que aceitável, mas politicamente falando é um deslize, bastante amador, quando não é bem colocada pelo emissor. Dizer que tem compromisso com ‘A’ ou ‘B’ em detrimento do coletivo chega a ser patético.

O político que se preza tem compromisso com a população. No caso de um representante do Executivo Municipal ele tem compromisso com a cidade; com as melhorias no oferecimento de serviços como educação, saúde, infraestrutura e outras. Para justificar o apoio a um determinado postulante a um cargo eletivo deve, sim, mostrar suas qualidades e o ‘comprometimento’ do mesmo com as pessoas que pretende representar, seja na esfera municipal, estadual e federal.

O Brasil vive atualmente uma das piores crises institucionais da sua história, onde todas as instituições democráticas estão com seus funcionamentos comprometidos. A jogatina política, com os acordos sendo firmados e tramados na calada da noite tem deixado o brasileiro em pavorosa. O toma lá dá cá, ato criticado por todos e praticado por muitos estão cada vez mais expostos entre os políticos; o que não é novidade. O medo das respostas nas urnas tem apresentado quase que diariamente a cara dos até então enrustidos inescrupulosos que na ânsia para garantir suas permanências no poder, principalmente os que necessitam do foro privilegiado, vão de encontro aos que lhes confiaram o voto ao contribuir na perda de direitos constitucionais.

Enquanto tiver apenas compromisso com o poder, continuará faltando compromisso com o povo.

Como vaticinou Rui Barbosa: “A força do direito deve superar o direito da força. De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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