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14 de julho de 2017

Ô Terra Tupiniquim dos meus sonhos - por Gervásio Lima

O Brasil nunca foi tão Brasil como está sendo atualmente

Os discursos e as discussões políticas nunca estiveram tão eminentes na vida dos brasileiros. É ‘política de dia, de noite, de manhã, meio dia, todo dia’. Na televisão, na Internet, na esquina, na padaria, na feira livre, na barbearia, no boteco, no trabalho, na escola, no aniversário, no velório... Vixe, um verdadeiro pandemônio.

A repetição dos mesmos assuntos tem entojado até a peneira na mão do pedreiro acostumada ao chato e repetitivo sacolejo. O país nunca esteve tão voltado para os bastidores políticos da Capital Federal e para o judiciário do Estado do Paraná. Crianças, jovens e adultos são obrigados a ouvir, ver e ler, através de todos os meios de comunicação existentes, as opiniões ou reportagens impostas por uma mídia que segue o mesmo caminho de esferas da Justiça e da Política: o do descrédito, por conta de atitudes parciais. Um turbilhão de informações, cada uma de um jeito, tem deixado o brasileiro abilolado.

Enquanto o Poder em Brasília envergonha o Brasil interno e externamente, o povo, responsável em confiar através do voto o mandato eletivo de todos os políticos, cúmplice e co-responsável por parte de tudo que está acontecendo na terra dos candangos, assiste tudo sentado em uma arquibancada construída com madeiras podres e cheias de cupins. Enganados, comumente, muitos inocentes são vítimas de corruptos e corruptores.

O Brasil nunca foi tão Brasil como está sendo atualmente. A secular ‘Terra Tupiniquim’, ou ‘Terra dos Papagaios’ (sendo este último termo mais adequado para as falácias do dia-a-dia), está de ponta cabeça. Como diz o compositor Wilson Aragão, com sua música imortalizada na voz do saudoso Raul Seixas: “Tá vendo tudo e fica aí parado, com cara de viado que viu caxinguelê”.

Já mais se imaginou na história do país, que direitos constitucionais conquistados através de muitas lutas fossem alterados ou extintos sem que acontecesse mobilizações populares de grandes proporções. Um sentimento de vergonha é percebido no comportamento dos que foram para as ruas defender a ‘brasilidade’ e a moralidade e hoje, de arquibancada, percebem que também foram traídos, vítimas literalmente de um verdadeiro crime passional.

Errar é humano, mas persistir no erro é tolice. É preciso que se resgate a democracia plena e que aqueles que se consideram co-autor de um sistema falido e corrosivo reconheça a bobagem que fez e dê o troco. 2018 está logo ali...

Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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