Destaque

Sebrae

Ages

8 de junho de 2017

Abuso contra idosos é problema de todos nós

O verbo correto não é comemorar, e sim refletir – e muito.


O verbo correto não é comemorar, e sim refletir – e muito. Na quinta que vem, 15 de junho, será o Dia Mundial da Conscientização contra o Abuso de Idosos (há quem chame também de Dia Mundial de Combate à Violência contra as Pessoas Idosas). Criado pela Organização das Nações Unidas, o que esse nome pomposo esconde é uma triste realidade que não tem fronteiras e cujas estatísticas não retratam com fidelidade a extensão do mal.

O mais visível é a violência física, mas abuso pode se caracterizar por qualquer ação que cause dano a uma pessoa mais velha, num leque que vai do emocional ao financeiro. Aliás, a questão da exploração financeira vem crescendo a tal ponto que será tema de discussões entre 5 e 7 de julho, na sede da ONU, em Nova York.

De acordo com o Disque 100, canal do governo para o registro de violação de direitos da população, foram feitas mais de 32 mil denúncias de abusos contra idosos em 2016. Mais de 70% são por negligência; em seguida vêm violência psicológica; abuso financeiro e econômico; e violência física e maus-tratos.

A questão da negligência é uma zona cinzenta: um homem de 90 anos pode ficar sozinho em casa o dia todo e ser responsável por suas refeições? Se estiver lúcido e a comida estiver semipronta, pode ser aceitável. Mas, e se ele precisar de auxílio para trocar fraldas geriátricas e somente à noite dispuser de alguém para ajudar?

Um grande passo já foi dado em relação às crianças. Quando uma é recebida num hospital e há suspeitas de maus-tratos, os próprios médicos tomam a iniciativa de denunciar. Esses são sinais também presentes em vítimas mais velhas: machucados, fraturas, falhas de cabelo, má nutrição e desidratação, problemas de saúde sem explicação, medo excessivo, distúrbios de sono ou sintomas de utilização inadequada de medicação – para mais ou para menos. 


Amor, culpa e vergonha muitas vezes impedem que os idosos denunciem os responsáveis por abusos, na sua maioria parentes ou pessoas próximas. As mulheres estão numa posição ainda mais vulnerável. Pais justificam atos violentos de filhos como se fossem uma exceção, e não a regra. E o constrangimento de denunciar quem deveria ser seu principal cuidador? O medo de retaliação pesa, já que a convivência faz com que este seja um inimigo íntimo. A quem recorrer? São questões complexas.

Embora nada justifique os maus-tratos, o cuidador também pode estar sob o estresse do desemprego ou sob o uso de drogas, ou ter um histórico de ter sido abusado. Se aquele núcleo familiar depende da renda da pessoa mais velha, temos a tempestade perfeita. Um comportamento que deve chamar a atenção é se esse cuidador insiste em manter o idoso isolado, recusando ajuda externa.

O isolamento não serve apenas para esconder agressões físicas, pode funcionar como instrumento de abuso emocional. Enquanto não há políticas públicas eficientes que protejam esta população em expansão, todos temos que nos engajar para que esses seres humanos em situação de fragilidade não permaneçam invisíveis.

por Mariza Tavares - G1 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Rota 324 não se responsabiliza pelos comentários aqui expostos.