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22 de março de 2017

Revisões da Petrobras e estoque alto de etanol derrubam preço da gasolina

Combustível, que tem 27% da composição de etanol, recuou R$ 0,07 na bomba em 1 mês.


O preço médio da gasolina tipo C, a comum, diminuiu de R$ 3,749 para R$ 3,678 nos últimos 30 dias, segundo levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). A queda de R$ 0,07 na bomba em um mês tem duas razões: a revisão constante de preços da Petrobras e a queda do valor do álcool anidro, que é misturado ao combustível.

O diagnóstico é do presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo, José Alberto Paiva Gouveia.

— No mercado internacional, caiu o preço do barril de petróleo, e a Petrobras está seguindo. Então, houve uma queda. Além disso, o álcool anidro teve uma queda forte no mercado nacional. Esse somatório traz baixa de custo para os postos, o que é repassado ao consumidor.

A Petrobras mantém sua política de revisão de preços pelos menos uma vez a cada 30 dias, o que lhe dá a flexibilidade necessária para lidar com variáveis com alta volatilidade. No último anúncio, feito no final de fevereiro, a empresa reduziu o preço da gasolina em 5,4%, em média, nas refinarias. Vale lembrar que não é sempre que essa queda é repassada ao consumidor.

Ao mesmo tempo, a queda do preço do etanol colabora para a diminuição do valor da gasolina. Isso porque, desde março de 2015, a gasolina brasileira possui 27% de etanol anidro, conforme determinação do Ministério da Agricultura. Portanto, o preço do etanol interfere diretamente no preço da gasolina.


O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP (Universidade de São Paulo), que monitora os preços dos produtores, indicou que o etanol anidro ficou R$ 0,10 mais barato em 30 dias — passou de R$ 1,75 para R$ 1,65. O motivo é o estoque, que está alto, segundo o presidente do Sincopetro.

— Os produtores não venderam o que queriam em dezembro e janeiro. Portanto, não venderam o que tinham no estoque. Agora em março aumentou a venda do etanol e vai continuar assim ao longo dos próximos meses.

A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) explicou que a queda nos preços do etanol se deve ao comportamento do mercado (lei da oferta e da demanda): se a procura está menor, os preços baixam para que as pessoas possam consumir. Além disso, tem a questão de competitividade de preço com a gasolina. Ambos os fatores contribuíram para a queda do valor do etanol.

Vale lembrar que esse produto não é o mesmo vendido nos postos do País — o motorista abastece com o etanol hidratado, cujo preço médio cobrado pelo produtor está em R$ 1,52 — há um mês, estava R$ 1,66.

Sobre esse valor, incidem tributos como ICMS (25% para a gasolina e 12% para o etanol em São Paulo), PIS/Cofins e a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e as margens de lucro das distribuidoras e postos. Em média, esse etanol que serve para abastecer o carro está em R$ 2,74 nos postos do País.

Do R7

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