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3 de março de 2017

Príncipe encantado em rede social? Desconfie...

No final do ano passado, o G1 noticiava um crime com este perfil em Mogi das Cruzes (SP). 


Sou uma frequentadora recente das redes sociais. E achei muito curioso que, logo depois de fazer meu cadastro e publicar minha foto, comecei a receber convites para me tornar “amiga” de homens estrangeiros, a maioria, inclusive, usando uniforme militar! Havia ali um modus operandi: tentativas de golpe feitas por “príncipes encantados” que não passam de sapos! Numa de suas últimas edições, a revista inglesa “The economist” fez as contas: em 2016, relacionamentos on-line que não passavam de fraudes custaram quase 40 milhões de libras aos britânicos (cerca de R$ 150 milhões). Seis em cada dez vítimas são mulheres, dois terços delas entre os 40 e 69 anos. É muito difícil rastrear esses bandidos, mas sabe-se que a maioria pertence a quadrilhas africanas ou da Europa Oriental.

Os malandros se valem de um roteiro que sempre inclui uma emergência – com um pedido de socorro financeiro – pouco antes do que seria o primeiro encontro do casal. Sites de encontros começam a se mobilizar para alertar seus membros em relação a declarações de amor prematuras e sobre o uso de fotografias falsas, tiradas da própria internet. Aliás, uma busca por imagem no Google pode identificar fotos usadas por golpistas: basta clicar com o botão direito do mouse sobre a imagem e selecionar “Buscar no Google por esta imagem”.

No final do ano passado, o G1 noticiava um crime com este perfil em Mogi das Cruzes (SP). Em seis meses, a aposentada de 69 anos perdeu R$ 200 mil que foram repassados ao “namorado”. Durante o “relacionamento” pela internet, o homem, que dizia ter nacionalidade inglesa, pediu ajuda para pagar os estudos dos filhos na África do Sul. Frequentemente as vítimas são solitárias e se encontram num estado de fragilidade emocional, o que as torna as presas ideais. Postagens sobre solidão e a busca de um companheiro servem para localizar mais facilmente essas mulheres. O golpista pode inclusive telefonar e se tornar mais íntimo (e confiável) antes de fazer o primeiro pedido de dinheiro. A propósito, para não serem desmascarados, eles nunca querem usar o Skype.

Com o progressivo envelhecimento da população, aumenta também o número de idosos em risco de sofrer fraudes no país. Um estudo realizado pela Serasa Experian, divulgado no fim de janeiro, apontou que foi na faixa acima dos 60 anos que a prática desse crime mais cresceu: o percentual de idosos com chance de se tornar vítima de fraude aumentou de 36,5% para 43,6%, de 2014 a 2016. No mundo digital, além dos namorados de araque, há outras armadilhas que devem ser evitadas: sites que anunciam ofertas de emprego ou produtos com preços muito inferiores aos de mercado; ou mensagens que pedem atualização de cadastro. Na dúvida, não clique em boletos, promoções ou arquivos, nem acredite em solicitações que venham do seu e-mail.

Crédito da foto: CDC/Amanda Mills
por Mariza Tavares

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