Destaque

7 de março de 2017

O novo sempre vem

Por Gervásio Lima - Jornalista e historiador.

Em 1976, o cantor Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, compôs a música “Como nossos pais”, que teve sua interpretação imortalizada em uma das vozes mais marcantes do Brasil, Elis Regina. A música fala das desilusões que um indivíduo tem acerca do sistema social e político do Brasil naquele momento, a descrever traços da ditadura militar e a indignação diante a opressão exercida pelas forças do Estado.

No contexto histórico, a canção retrata a paixão pelo direito de viver, pelo amor e pelas amizades, características do convívio familiar e a expectativa de um futuro melhor, com mais esperanças. Naquele momento o artista já chamava atenção para os ideais da juventude, o de apenas acúmulo de ganhos materiais em detrimento ao sentimento e a participação na luta por mudanças e tempos melhores.

A canção do nordestino da cidade de Sobral, no Ceará, escrita há 41 anos, continua sendo um ótimo instrumento de reflexão sobre o comportamento dos que se dizem velhos e os que se auto-intitulam novos. O que predomina na verdade são discursos novos sucumbidos em velhas práticas conservadoras e de falsos moralistas, principalmente quando se trata da política e de políticos. O que se ver todo o tempo é o velho tentando enquadrar o novo utilizando-se de fórmulas antigas e desgastadas do eu posso, eu mando e eu que determino. Ditatorialmente, sem vergonha.

Mesmo com o avanço da tecnologia, qualquer cidadão, morador do mais distante rincão do planeta que tenha acesso à rede mundial de computadores e recebe instantaneamente todo tipo de informação que precise, é passivo das ações dos estelionatários políticos que usam as falsas promessas, o assistencialismo e a falta de consciência política como suas principais armas contra suas potenciais e lucrativas vítimas o desatento e corruptor eleitor.


Vários estudos afirmam que o político que rouba mas se apresenta como competente e diz realizar obras importantes para a população, tem longevidade garantida. Para quem tem plena consciência, dificilmente confiará um voto naquele que se locupleta do erário público, mas infelizmente, muitos eleitores votam pensando nos benefícios que já conquistaram ou no que poderão alcançar, em razão da 'competência' do corrupto, naquele que 'rouba mas faz'. É um absurdo fechar os olhos para tais práticas, um dos crimes mais cometidos por gestores em diversas cidades brasileiras.

Aquele que deixar de atender as necessidades da população e de aplicar o dinheiro público em prol de melhorias do coletivo por desvio ou uso indevido dos recursos precisa da punição severa do seu principal julgador, o eleitor, que tem o poder de aprovar ou reprovar através do voto. Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice.

É bom sempre lembrar que a execução de uma obra publica não é um favor que o governante faz à sua população e sim uma obrigação governamental realizada através da verba pública ou de um dinheiro público extraído de uma arrecadação tributária, que atinge direto o bolso do povo, com a metodologia de retornar para esse mesmo povo através de uma boa educação, um excelente serviço de saúde,infraestrutura, segurança e outros.

E mais, além de honesto, honrado e probo, um bom gestor precisa ter características empreendedoras, dotadas de ideias realistas e inovadoras, otimismo e coragem para realizar mudanças e melhorias mesmo enfrentando obstáculos. A visão empreendedorista é um agente fundamental para a viabilização de uma boa gestão, propulsora do desenvolvimento do lugar onde se foi escolhido para administrar.

Por tanto, que se use das armas que estão postas, a tecnologia através da internet e suas redes sociais e, principalmente, do voto, para mudar de verdade as realidades e consequentemente resgatar a esperança com novas atitudes e menos vantagens pontuais e pessoais.

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