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19 de janeiro de 2017

Pesquisas descartam ligação de doença misteriosa com pescados

Pesquisadores do Laboratório de Virologia do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (Ufba) descartaram a relação da “doença misteriosa” ou “mialgia aguda a esclarecer” com o consumo de pescados.

Nas investigações científicas não foram encontrados indícios de toxinas nas amostras de sangue, fezes e urina cedidas pelo hospital Aliança, em Salvador – local onde os primeiros pacientes acometidos por dores musculares agudas de início súbito e urina de cor escura foram atendidos em dezembro do ano passado.

De acordo com o virologista Gúbio Soares, responsável pela pesquisa, a suspeita é de que a doença seja causada por um vírus que, até então, não foi identificado. “As investigações estão seguindo neste caminho. No entanto, os resultados concretos de todas as análises das amostras devem levar mais um tempo para serem concluídos”, afirmou.

Além das evidências apontadas pelas análises, a incidência de casos de pessoas que não consumiram peixes e que, mesmo assim, apresentaram os sintomas também direcionaram a pesquisa para a possibilidade de a doença ser causada por um vírus.

“Tomamos conhecimento de que, em novembro, três pessoas de uma mesma família, em Alagoinhas, apresentaram os sintomas de dor muscular aguda e urina escura. Entre as pacientes, estava uma criança e nenhuma delas havia comido peixe no período”, disse.

Casos

O rumo das pesquisas do Laboratório de Virologia, que estão sendo realizadas há cerca de 15 dias, coincidem com os dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). De acordo com os registros do órgão, dos 52 casos suspeitos registrados até esta quarta-feira, 18, menos da metade dos pacientes relataram o consumo de pescados.

A secretaria enviou, na última semana, amostras para laboratórios do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Alabama (EUA). Até o final da tarde desta quarta, o órgão havia recebido resultado de apenas duas das cinco análises previstas para serem realizadas no Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo.

As duas, que investigaram a presença de metais pesados – cadmo e chumbo – nas amostras de peixe, obtiveram resultado negativo. A secretaria ainda aguarda os demais resultados.

Este é o segundo resultado concreto que a secretaria recebe desde a publicização da doença, em dezembro de 2016. O primeiro foi o do exame realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz (Lacen), que descartou a presença de bactérias em amostras de sangue, fezes e urina.

De acordo com a superintendente de Vigilância da Saúde da Sesab, Ita de Cácia Aguiar, até que se obtenha resultados definitivos, a secretaria tentará localizar casos da doença para reunir mais detalhes sobre a enfermidade.

“Amanhã [quinta-feira] vamos nos reunir para discutir sobre os diagnósticos. Até obtermos os resultados de todas as análises, não vamos excluir nenhuma possibilidade, seja o peixe ou qualquer outra”, afirmou.

A superintendente recomenda que pacientes que apresentarem dor muscular de início repentino e urina de tonalidade escura procurem de imediato uma unidade de saúde.

“O tratamento só pode ser prescrito por um médico. Então, é prudente que o paciente procure ajuda o quanto antes para que a doença não evolua para insuficiência renal, por exemplo, o que pode acontecer”, afirmou.

A Tarde

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