Destaque

11 de novembro de 2016

0% para as pesquisas e 270 delegados para Donald Trump

Uma coluna do historiador Gervásio Lima

Muita gente, no mudo todo, deve ter recebido o resultado da eleição que escolheu o novo presidente dos Estados Unidos da América (EUA) como uma grande surpresa. Diante do que era publicizado e alardeado, pelo menos na mídia brasileira, muitos amanheceram na quarta-feira (9), dia em que foi anunciado oficialmente o resultado final das apurações dos votos, totalmente atônitos. A demonização em torno do nome do então candidato Donald Trump e a angelização da candidata derrotada Hillary Clinton conseguiu, de certa forma, fazer com que as pessoas tivessem ojeriza ao futuro presidente americano e empatia à sua concorrente.

E agora? Agora Inês é morta, o planeta terá que engolir um magnata falastrão, preconceituoso, racista, machista, homofóbico e ignorante. Com um estilo provocador o representante do Partido Republicano não tem ‘papas na língua’ e o que se parece também não tem ‘papas nas mãos’, conforme foi mostrado em emissoras de televisão e em vídeos espalhados através das redes sociais, onde Trump aparece apalpando partes íntimas de mulheres no meio da rua. De acordo a alguns estudiosos do comportamento humano, ele nada mais é do que um autêntico americano, um falso paladino da moralidade, onde seus interesses estão acima de tudo e de todos.

Retornando mais uma vez ao que foi anunciado por órgãos de imprensa nacional e, provavelmente, internacionais (quem tem acesso e domina outras línguas poderá responder se isso realmente aconteceu), os votos dos 270 delegados que garantiram a vitória do Republicano partiram da vontade pela quebra da hegemonia política, já que Hillary, ex-senadora, esposa de um ex-presidente por dois mandatos (Bill Clinton), que participou do governo do presidente Barack Obama como secretária de Estado, completaria 16 anos ligada direta e indiretamente à Casa Branca. Na base do ‘se não tem tu, vai tu mesmo’, os americanos apostaram no “mais pior” por pura birra. Em detrimento ao título de sociedade inteligente, os eleitores da terra do Tio Sam apostaram (ainda segundo o que estava sendo noticiado todo o tempo) no quanto pior melhor, contrariando todas as pesquisas de intenção de voto.

Espera-se que todas as previsões em torno de um dos presidentes mais bizarros da história da América do Norte não sejam concretizadas. Vaticinar um governo que nem se quer começou não é bom para ninguém, principalmente quando se trata da maior potência mundial. O que os pobres terrenos podem fazer? Nada. Quem for de orar que ore e quem for de rezar que reze.

É dito em bocas miúdas que o Brasil não tem com que se preocupar, pois, ao contrário do México que faz fronteira com os EUA, não contará com um muro para separar o país com aquela grande potência, até mesmo porque em nenhum momento a terra de Pelé e Carmen Miranda foi citada por nenhum dos candidatos durante a corrida presidencial. O Brasil passou literalmente despercebido, o que corrobora com a tese de que a vizinha pobre América do Sul nem cheira nem fede para a Casa Branca. Ufa, ainda bem...

"Boa noite, pra quem é de boa noite
Bom dia, pra quem é de bom dia
A bênção, meu papai a bênção
Maculelê é o rei da valentia..."
Boa noite – Berimbrown

Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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