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20 de outubro de 2016

Grupo de Estudos Gênero e Feminismo da Uneb lança Nota Pública

O Grupo de Estudos de Gênero e Feminismos Carolina de Jesus do Departamento de Ciências Humanas da UNEB, Campus IV, Jacobina, manifesta profunda preocupação com o cenário que experimentamos atualmente no Brasil, a preconizar o corte de investimentos em saúde e educação e a retirada de direitos das mais diversas ordens (civis, trabalhistas etc), a impactar sensivelmente na realidade de seus municípios, especialmente aqueles que congregam comunidades escolares e universitárias. Triste é ter que destacar que períodos como esse já existiram neste país e não há muito tempo. Vivemos 21 anos numa ditadura civil-militar que confiscou do povo brasileiro sua memória, sua história e sua identidade, além de vidas. Do mesmo modo, esta geração já registra, em tempo real, a consequência desse confisco historiográfico e identitário: um novo golpe de Estado com um elemento bastante emblemático, que justifica, inclusive, a emissão dessa nota por este coletivo: UM GOLPE MISÓGINO! A retirada espúria e ilegal da primeira mulher Presidenta do Brasil estampa nossa história como uma violência machista, misógina e patriarcal, aliada à violência de classe e dos interesses internacionais que, mais uma vez, articulam a derrubada de governos em países latino-americanos. 

É com muita inquietação que este Grupo vê a sucessão de violências que tem sido praticadas no cotidiano da sociedade brasileira e que tem como alvo dileto mulheres e comunidade LGBTTI – escolas e universidades (e este campus) não tem sido exceção. Essa violência, que se manifesta de muitas formas – violência física, sexual, psicológica, simbólica, patrimonial e institucional – se traduz em comportamentos abusivos arraigados e alimentados por discursos antifeministas que reverberam de diversas formas: difamação, calúnia, assédio, discurso de ódio. 


Apesar do aparente silêncio sobre a conjuntura nacional, os debates sobre o golpe parlamentar, midiático, jurídico e político que acintou o Brasil e o mundo têm sido feitos por professoras e estudantes, inclusive no Mestrado em Educação e Diversidade, e pelas/os técnicas/os, deste departamento. O sindicato dos servidores (SINTEST), assim como o sindicato dos professores (ADUNEB), além da própria Reitoria e Fórum dos Reitores das Universidades Estaduais da Bahia, posicionaram-se de modo claro sobre a ilegitimidade do atual governo, que, além de ter confiscado os votos de milhões de eleitoras/es por meio da farsa do impeachment, está solapando os direitos mais fundamentais do povo brasileiro, a exemplo do Projeto de Emenda à Constituição nº. 241/16 que tramita no Congresso Nacional. Debates e manifestações estão sendo promovidos em diversos campi universitários deste Estado e Brasil afora, além de escolas e colégios, como tem mostrado a Primavera Secundarista, para manifestar o descontentamento e sua insurgência contra a política de ajuste fiscal punitiva que tem sido adotada sem tocar nos privilégios dos poderes executivo, legislativo e judiciário. 

Do mesmo modo tem se posicionado a comunidade jurídico-acadêmica das Universidades Estaduais (UEBAS) e a Universidade Federal da Bahia, além de inúmeras instituições desse país e de países estrangeiros. Inclusive, por essas manifestações, algumas instituições têm se tornado alvo de discursos de ódio e promoção do anti-intelectualismo. A manipulação da narrativa do golpe por determinados meios de comunicação e representantes de movimentos reacionários – misóginos, homofóbicos, racistas – tem como estratégia principal a desqualificação do papel e do posicionamento da Universidade e suas categorias, professoras/es, alunas/os e técnicas/os, recusando-se, como consequência, a reconhecer a contribuição social e acadêmica da UNEB na formação de cidadãs e cidadãos desta cidade e região há mais de 30 anos! 

Não é por acaso que neste período em que vivemos um momento muito delicado, especialmente para a educação brasileira, a estratégia de ataque à escola e à Universidade, particularmente às professoras/es,alunas/os e técnicas/os, tem se intensificado, constituindo vergonhosa campanha difamatória. A UNEB, que nasceu como Faculdade de Formação de Professores de Jacobina (FFPJ) e tem desempenhado sua missão na região, sofre, hoje, o ataque cerrado daqueles que defendem projetos como Escola sem Partido, em nome de uma pretensa neutralidade, que, como educadoras/es, sabemos ser falaciosa – o sujeito, seus discursos e formações ideológicas são sempre marcados, afinal. Não podemos nos recolher, mas não lutaremos com as mesmas armas e estratégias. Compreendemos, como diz Freire, que "quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor." É por este motivo que, como professoras/es, alunas/os e técnicas/os, sabemos ter ainda muito chão pela frente em nome de uma educação descolonizadora e efetivamente libertadora. E este é um sonho que não temos sonhado sozinhas/os. Avante!

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