Umburanas

20 de julho de 2016

Sobre sapatas iguais: É mais fácil acertar na mega-sena! Por Eng. Paulo Vitor

A construção de sapatas com dimensões padrão pode até facilitar a execução das mesmas

Construir sapatas isoladas com as mesmas dimensões em todos os pilares/colunas de uma obra é um erro que denuncia a falta de acompanhamento técnico profissional no projeto e construção das fundações.  

As sapatas isoladas são um tipo de fundação rasa empregado em determinados tipos de solos que apresentam características adequadas para resistir às solicitações da estrutura. E, apesar de “facilitar” a execução, admitir uma dimensão padrão para todas as sapatas é um erro típico de obras autoconstruídas que pode induzir, inclusive, recalques diferenciais na estrutura.

É mais fácil acertar na mega-sena!

Mesmo com a chance de acertar na mega-sena com uma aposta simples tendendo a zero (da ordem de 0,000002%), a probabilidade de uma edificação de pequeno porte demandar uma solução de fundação rasa em sapatas isoladas com dimensões iguais é ainda menor.

Sapata Isolada de Concreto Armado
Isso porque, numa obra, os pilares/colunas centrais da edificação são mais solicitados (recebem um carregamento maior) demandando, consequentemente, sapatas isoladas com dimensões maiores que as demandadas, por exemplo, nos pilares/colunas periféricos (menos solicitados).

A construção de sapatas com dimensões padrão pode até facilitar a execução das mesmas, mas se trata de um erro clássico da autoconstrução que altera o mecanismo de interação da estrutura com o solo, patrocinando recalques/acomodações diferenciais que, por sua vez, podem gerar fissuras na estrutura.

As dimensões das sapatas isoladas de uma obra que demanda esse tipo de fundação dificilmente serão iguais e cabe ao engenheiro projetista de fundações a definição de suas dimensões e cota de apoio com base nas características do solo e da estrutura. 

Do autor

Eng. Civ. Paulo Vitor S. Santos

Jacobinense, Baiano, Engenheiro Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2014). Atualmente é aluno da Pós-Graduação em Engenharia de Estruturas na Escola de Engenharia de São Carlos da USP, com ênfase em Estruturas de Concreto e Alvenaria, atuando principalmente nos seguintes temas: análise estrutural de edifícios, fundações e interação solo-estrutura.

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