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1 de julho de 2016

Novas eleições e velhos vezeiros; por Gervásio Lima

(Qualquer semelhança é mera coincidência)

‘Sicrano afundou sua carreira política, não ganha mais uma eleição nem para síndico de prédio. Vai ser ruim assim lá na casa da bexiga sô. Agora é a vez de fulano voltar; não tem pra ninguém nesta eleição’.

Quatro anos depois...

‘É, a gente tava enganado; bom mesmo é Sicrano. Ele roubava mas nós ainda via alguma coisa. Ruim por ruim vamo votá nele de novo, tem outro não. Nós que apostava tudo em fulano levamo foi ferro novamente. Aquele veio de encomenda viu. O primeiro não fez nada e esse ainda veio e desmanchou.

Oito anos depois...

‘Nem Sicrano nem Fulano, nós tem agora é de tentar mudar. Tão dizendo por aí que o bom mesmo é Beltrano que ainda não foi testado. Rapaz de família conhecida, se puxar ao pai pode até ser coisa que preste. Letrado, com estudo na capitá, ele pelo menos nós viu quando era menino. A gente não quer mais esse negócio de dotô de hospital, nós quer ver um outro tipo de dotô na prefeitura’.

Pré-campanha eleitoral...

Sicrano anunciou que não irá disputar as eleições alegando problemas de saúde, mas dará todo apoio à candidatura de Mengano, que já foi vice-prefeito e não fez nada porque dizem que vice não faz nada.

Já Fulano depois de fazer charminho por um bom tempo anuncia sua reeleição, com a alegação esfarrapada de não ter encontrado um candidato à sua altura para sucedê-lo. Parece piada, mas é verdade, o Dotô Fulano, detentor de uma rejeição nunca vista na história da cidade, tem o despautério de se achar o dono da cocada preta, mesmo sendo acusado e, inclusive, processado por improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal.

Correndo pelas beiradas está Zutano, figura bem-quista, mas que não inspira confiança por ter passado pelos governos de Sicrano e Fulano. Dizem que o problema é que ele é visto como farinha do mesmo saco, assim como Mengano que sempre torceu e esteve do lado do time que estava ganhando.

Beltrano até então nadava de braçadas. Disparado na frente nas consultas de intenção de voto realizadas até pouco tempo, ver agora a sua popularidade e sua chance de vitória escorregar pelos dedos, dado à sua dificuldade de comunicação e aglutinação dentro do seu próprio grupo político que é composto por velhas ovelhas e novas e inexperientes marrãs. Dizem em bocas miúdas que a insistência em manter ao seu lado algumas figuras que lhe mal assessoraram em outros momentos é um dos motivos do declínio nas pesquisas.

Existem ainda Capistrano e Citano, duas figuras boas-praças que anunciaram suas pré-candidaturas com intuito de, segundo as más, ou boas, línguas, se valorizarem para forçar um provável convite para compor uma chapa como vice.

Por último está o povo. Há, o povo...

Por Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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