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5 de julho de 2016

Estrada Real: Após convênio de R$ 2,4 mi, projeto pode ter novo rumo com mapeamento

A Estrada Real baiana é alvo de discussão há muitos anos

Após diversas idas e vindas, o projeto da Estrada Real da Bahia, caminho pelo qual passavam as remessas de ouro para Portugal no período da mineração, ainda na época colonial, pode ter novo impulso. O acordo de cooperação técnica entre a Secretaria de Turismo e a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), firmado para o georreferenciamento da estrada, foi renovado e resta mapear 100 dos 400 quilômetros que compõem o trajeto entre Jacobina, no centro norte do estado, e Rio de Contas, na Chapada Diamantina. 

A informação foi confirmada pelo diretor-presidente da CBPM, Alexandre Brust. Entremeando serras e matas, a Estrada Real baiana é alvo de discussão há muitos anos, abrangendo gestões anteriores da Setur. Na gestão de Domingos Leonelli (2007-2013) à frente da pasta, o projeto quase saiu do papel: chegou a ser firmado um convênio em 2007 com o Ministério do Turismo, no valor global de R$ 2.681.250, destinados à realização de obras de infraestrutura turística nos municípios pertencentes às rotas do ouro, como pavimentação asfáltica e construção de centros de atendimento ao turista. 

Trecho na Serra do Tombador, em Jacobina
Foto: Antônio Espinheira/CBPM
Deste montante, foram liberados pelo ministério R$ 2.437.500 em 2008 – os R$ 243.750 deveriam ser, como contrapartida, custeados pelo governo do Estado. Procurada pelo Bahia Notícias na última quarta-feira (29) para responder sobre o andamento do projeto, a Secretaria de Turismo, inicialmente, desconsiderou a pergunta sobre a execução e resultados do convênio, por se referir ao ano de 2008. Após a reportagem reiterar a solicitação, na última sexta-feira (1º), a Setur encaminhou o pedido à área técnica responsável para a pesquisa dos dados, mas ainda não respondeu ao questionamento até o fechamento. Sendo realizado ou não, o convênio beneficiava quatro cidades: Mata de São João, Maragogipe, Porto Seguro e Lençóis. As pesquisas de campo para mapeamento da Estrada Real foram realizados posteriormente, na gestão de Pedro Galvão (2014), quando foi firmado o acordo de cooperação técnica com a CBPM. 

Os resultados iniciais do levantamento, feitos pelo escritor Ubaldo Marques Porto Filho, foram reunidos no livro Estrada Real da Bahia, em 2015. Até 2008, quando o valor foi liberado pelo MinTur, existia uma indicação do trajeto feito pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, feita em 2003, que apontava rotas que passavam por 28 municípios da Chapada e 14 na Baía de Todos os Santos. Das quatro cidades constantes no convênio, apenas duas são listadas nessa primeira relação, ainda sem comprovação histórica: Lençóis e Maragogipe. De acordo com a documentação reunida no memorial após o levantamento em campo, feito em 2014, já na gestão Pedro Galvão, foi verificado que as primeiras indicações construiriam um trajeto falso, não correspondendo exatamente ao da verdadeira Estrada Real. 


O real caminho ainda está sendo mapeado e, de acordo com Brust, a expectativa é de que o georreferenciamento da etapa Jacobina – Rio de Contas seja concluído no final deste ano. Após o término desta fase, porém, a Setur ainda vai avaliar a viabilidade do projeto. "O objetivo deste estudo é identificar as coordenadas exatas do Caminho Real.  A CBPM já produziu um relatório relativo ao trecho compreendido entre Rio de Contas e Jacobina. Ao final, indica a necessidade de maior adensamento de informações entre os trechos reconhecidos e cadastrados. Ou seja, os dados disponíveis são rigorosamente preliminares. Nossa equipe técnica acompanha este processo com todo interesse, a fim de analisar a viabilidade do projeto; seu custo-benefício em esferas público e privada, assim como sua adequação ao orçamento da Setur", explica a pasta em nota. 

Durante a discussão do projeto, ao longo da última década, também foi debatida a necessidade de criação de um instituto voltado para a promoção da Estrada Real da Bahia como um novo destino turístico no estado, a exemplo do que ocorreu em Minas Gerais, onde as rotas de ouro e diamante já se consolidaram como atração de turistas. Em outubro de 2012, ainda com Leonelli como titular, a criação da entidade chegou a ser discutida em audiência pública na Câmara dos Deputados – e assim como Minas Gerais, a expectativa era de construir o entendimento junto à iniciativa privada. De acordo com a Setur, este continua sendo o entendimento da secretaria. "A idéia de criar aqui um Instituto da Estrada Real foi inspirada na bem sucedida experiência de Minas Gerais, onde a iniciativa privada participou e ainda atua de forma eficiente na linha de frente deste trabalho. O modelo criado em Minas eliminou os entraves burocráticos da administração pública". por Luana Ribeiro - Bahia Notícias

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