Destaque

Umburanas

8 de julho de 2016

Barganhas políticas - Por Gervásio Lima

A coluna fala sobre cidadãos que lançam pré-candidaturas apenas para barganhar vantagens 

Deveria conter na Lei Eleitoral e até mesmo no Código Penal Brasileiro um artigo onde estabelecesse punição severa para os chamados “falsos candidatos”, aqueles que se apresentam como pré-candidatos a determinados cargos, chegam até mesmo a discursar, apresentar propostas e pedir votos, mas na verdade não passam de autênticos ‘barganhadores’ que aproveitam da posição que ocupam ou ocupou e de uma pseudo popularidade para negociar e até mesmo chantagear apoio a determinados grupos e a outras candidaturas reais para tirar, única e exclusivamente, vantagem.

Além de cometer o grave crime de enganação, esses verdadeiros estelionatários políticos utilizam das boas intenções dos seus pretensos eleitores para negociar seu apoio a outrem. Em nenhum momento se consulta as bases para definir suas posições,; o que prevalece mesmo é o que lhes são oferecidos em troca. No direito penal, fraude é o crime ou ofensa de deliberadamente enganar outros com o propósito de prejudicá-los, usualmente para obter propriedade ou serviços dele ou dela injustamente. O que ocorre em todo período de pré-campanha eleitoral é justamente isso, uma espécie de método fraudulento no intuito de tirar proveito a partir da ingenuidade e benevolência de incautos.

Assim como qualquer criminoso que se acha acima das leis e ao fazer desdém das autoridades transitam na sociedade como se fosse um respeitado cidadão do bem, os adeptos no ‘vai que cola’ aparecem em todos os anos eleitorais e são do conhecimento de todos, inclusive de representantes dos órgãos fiscalizadores como o Ministério Público e a Justiça Eleitoral. Nem o mais ingênuo dos ingênuos não é capaz de visualizar as jogadas desses malfeitores, que têm como único objetivo ter privilégios pessoais.

Justo Veríssimo é aquele que só suporta o povo, principalmente o pobre, em época de eleições, depois quer mais é distância. Exatamente como os ‘estelionatários eleitorais’ de plantão. Um dos mais geniais personagens criado pelo maior humorista brasileiro, Chico Anysio, na década de 1980, o fictício deputado tinha como seu discurso oficial o desprezo pelas regras oficiais e por roubar dinheiro público descaradamente, tendo como sua principal característica o ódio que sentia pelos próprios eleitores. O bordão “Quero que pobre se exploda!” virou um clássico do anedotário brasileiro e, patético e incrivelmente, tem sido o principal sentimento dos que usam a política como uma carreira profissional, em detrimento da luta pelos anseios da população, do coletivo.

Existe também o eleitor “Justo Verissimo”, que assim como seu inspirador, faz vistas grossas à corrupção, especialmente dos políticos de sua preferência, mesmo estes estando respondendo processos por atos de improbidade, por, na maioria das vezes, desviar recursos públicos. O eleitor precisa empoderar-se, aprender que é preciso participar, discutir, apresentar ideias e apoiar candidatos que não lhe dará as costas no pós-campanha, que caminharão consigo, dando-lhe vez e voz e sendo amigo e representante não somente daqueles que contribuíram para seu mandato, mas de todos.

A principal característica que faz de um  cidadão um bom político é sua capacidade de colocar o interesse público acima dos seus próprios interesses. Acredite.

Gervásio Lima
Historiador e jornalista 

2 comentários:

O Rota 324 não se responsabiliza pelos comentários aqui expostos.